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domingo, 26 de fevereiro de 2012

Alguém citou: Martha Medeiros


A alegria na tristeza

O título desse texto na verdade não é meu, e sim de um poema do uruguaio Mario Benedetti. No original, chama-se "Alegría de la tristeza" e está no livro "La vida ese paréntesis" que, até onde sei, permanece inédito no Brasil.

O poema diz que a gente pode entristecer-se por vários motivos ou por nenhum motivo aparente, a tristeza pode ser por nós mesmos ou pelas dores do mundo, pode advir de uma palavra ou de um gesto, mas que ela sempre aparece e devemos nos aprontar para recebê-la, porque existe uma alegria inesperada na tristeza, que vem do fato de ainda conseguirmos senti-la.

Pode parecer confuso mas é um alento. Olhe para o lado: estamos vivendo numa era em que pessoas matam em briga de trânsito, matam por um boné, matam para se divertir. Além disso, as pessoas estão sem dinheiro. Quem tem emprego, segura. Quem não tem, procura. Os que possuem um amor desconfiam até da própria sombra, já que há muita oferta de sexo no mercado. E a gente corre pra caramba, é escravo do relógio, não consegue mais ficar deitado numa rede, lendo um livro, ouvindo música. Há tanta coisa pra fazer que resta pouco tempo pra sentir.

Por isso, qualquer sentimento é bem-vindo, mesmo que não seja uma euforia, um gozo, um entusiasmo, mesmo que seja uma melancolia. Sentir é um verbo que se conjuga para dentro, ao contrário do fazer, que é conjugado pra fora.

Sentir alimenta, sentir ensina, sentir aquieta. Fazer é muito barulhento.

Sentir é um retiro, fazer é uma festa. O sentir não pode ser escutado, apenas auscultado. Sentir e fazer, ambos são necessários, mas só o fazer rende grana, contatos, diplomas, convites, aquisições. Até parece que sentir não serve para subir na vida.

Uma pessoa triste é evitada. Não cabe no mundo da propaganda dos cremes dentais, dos pagodes, dos carnavais. Tristeza parece praga, lepra, doença contagiosa, um estacionamento proibido. Ok, tristeza não faz realmente bem pra saúde, mas a introspecção é um recuo providencial, pois é quando silenciamos que melhor conversamos com nossos botões. E dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba saindo também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada. Triste é não sentir nada.


quarta-feira, 22 de junho de 2011

Sobre dores e sofrimentos.


Ás vezes nós sofremos. Sofremos muito por qualquer coisa, seja a última bolacha do pacote que caiu, ou porque a pessoa que você mais ama te magoou.

Achamos que vamos ser condenados pra sempre por alguma mentira que dissemos, e então sofremos. Achamos que fomos os únicos do mundo a cometer algo ruim, e sofremos mais ainda. Achamos que vamos viver pra sempre sozinhos, que ninguém se importa conosco, que nunca acharemos alguém pra compartilhar sorrisos e abraços e balas, e então sofremos.

Mas em meio a tanto sofrimento, nos esquecemos de parar um pouco e ver o que está diante dos nossos olhos.

Tantas pessoas vividas a nossa volta sofreram, erraram, pecaram, tanto quanto nós ou até mesmo mais que nós, e estão aí, sorridentes e saltitantes, sendo alegremente felizes? Quantos perdões já foram dados? Quantos traumas já foram superados? Quantas mágoas já foram esquecidas?

No instante em que a causa de todo o sofrimento acontece, tudo pareça mais intenso, mais grave, mais imperdoável, inesquecível e incurável. Mas depois, percebemos que, tudo aquilo, nem tem a importância que parece ter. Quantas pessoas no mundo passaram ou passarão pelo que passou?

Talvez seja algo simples, que por adrenalina momentânea, força da emoção, ou qualquer outra coisa, pareça algo bem mais grave. Talvez todo mundo vá passar por isso ou já passou. Talvez hoje todos estão de cara feia pra você, mas amanhã estarão sorrindo e te abraçando. Talvez seja algo simples, mas forte, que pode causar uma dor, mesmo que já tenha acontecido com milhares de pessoas ou mesmo  que seja algo normal e cotidiano. Como dizem, cada acontecimento é único, mesmo que seja igual, não volta, mesmo que já tenha doído, dói de novo, mas pra toda dor há um remédio, ou um fim.

                Não tratamos uma gripe qualquer, como uma doença crônica, sabemos que vai passar rápido, e nem nos preocupamos. É como nossas dores, ás vezes pensamos que elas são doenças crônicas que nunca vão passar, mas na verdade, são apenas uma gripe.

Portanto, não sofra tanto assim, lembre que somos jovens e não sabemos identificar se um problema é tão grave como parece, aí sofremos sem precisar, e só quando estivermos velhos vamos poder dar risadas lembrando de como sofremos com toda aquela besteira. Então não se preocupe.  Perdoe, esqueça, viva, porque mais cedo ou mais tarde, tudo isso vai ser mesmo grande besteira.
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