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domingo, 6 de outubro de 2013

Eu sou um oposto



"Você é uma confusão".

Foi o que ele disse depois de conhecê-la, e ela, que desde sempre se conformou em ouvir isto - até porque a própria vivia confusa consigo mesma -, respondeu-lhe:

"Eu sou um oposto, uma oposição. Não gosto de oito ou oitenta, ou isso ou aquilo. Quem disse que não podemos ser isso e aquilo, tudo ao mesmo tempo? Pois se eu quiser, eu serei. Aliás, eu quero, e sou. Sou o doce e o amargo, o meigo e o descarado, o preto e o branco, o samba e o rock".

E ele, que sempre estava acostumada a escolher apenas um lado das coisas, encantou-se com o discurso daquela que escolhia vários. Logo ele, que tinha moças que faziam de tudo para o agradar aos seus pés, encantou-se pela que desagradara, ou que desagradando, agradou. E ela continuou: 

"Lados são ilusões. O seu lado bom, pode ser o meu lado ruim, por isso eu não me prendo a ser um lado só. Eu sou um dodecágono".

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

O difícil me atrai



Eu estava sentada no ônibus, pensando na indicação que eu fizera a um amigo, na noite interior: Um livro. Eu pensava se ele entenderia o livro de fato, ou não, pois ele era subjetivo, filosófico, não era uma história normal em que você poderia definir início, meio e fim, com clímax e tudo, até que percebi: O difícil me atrai.

O que é fácil todo mundo consegue entender, e muitas vezes, todo mundo entende da mesma forma. Dois mais dois é quatro, fim, sem discussão, sem segundas interpretações. Eu gosto do que poucos entendem, e quando entendem, é de forma diferente. Opiniões, pontos de vista, interpretações. 

Gosto do que você tem que pensar pra entender, que não há nenhuma fórmula ou regra pra te ensinar a chegar à uma conclusão. Hipóteses, senso crítico, possibilidades. Do que você pode discutir, descordar, contestar, e nem por isso estar errado ou certo, porque alguém determinou que isso ou aquilo é o certo. 

E o melhor é que isso me traz pessoas capazes de compreender os mais complexos versos, das mais variadas formas, despertando em mim, as mais variadas admirações.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Crise de rotina




O que eu preciso? Ás vezes eu não sei, fico confusa, pareço precisar de algo que nem eu mesma sei definir. Pareço estar presa, mas não sei em que. Pareço querer liberdade, mas não sei como. 

Rotina. Talvez seja isso, respirar novos ares, observar novos sorrisos, viver novas aventuras.

Pode ser que eu tenha me acostumado, me acomodado, como quando dizem que o seu sistema imunológico já se acostumou com aquele vírus, e ele já não te causa nada, já não surte efeito.
Acho que é isso, os elogios já não soam animadores, os amores já não soam sinceros, o que divertia, de tanto divertir, enjoou, não funciona mais, assim como todo o resto, as belezas, as palavras, as tarefas, as comidas. 

Meu "sistema imunológico" já se acostumou com tudo isso, preciso de novos vírus, que me causem algo, que me surtem efeito. 

Mas isso não é tão fácil como parece, ou nem parece, ou eu estou complicado e é fácil sim. Qual é a resposta? Talvez eu devesse agir, antes que passe todos os dias da minha vida fazendo os mesmos caminhos, enquanto tomo uma xícara de leite com achocolatado e vejo séries de comédia.

Talvez eu devesse agir, antes que o que já não me surte efeito, surte a minha mente.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A jogadora



Ela levantava todo dia e se olhava no espelho, já pensando em quem e como ela deveria ser melhor, fazia da sua vida um jogo, tudo o que fazia era extremamente calculado para atingir alguém. Mal sabia ela que muitas vezes a pessoa mal percebia.

Quando falava com as supostas amigas, precisava insinuar sorrisos, abraços, contatos, belezas, ela nem se importava se fossem falsos, era só para dizer entre dentes “sou melhor que você”, e na verdade, ela precisava disso pra viver, para auto afirmar o seu sucesso.

A pessoa poderia estar fazendo qualquer coisa banal, se divertindo com os amigos, retocando o batom no espelho ou até mesmo tomando um simples café, mas para ela, era uma intimação, “Fulana está tentando ser melhor, mas não posso deixar”, e assim lá ia ela de novo, fazendo da pobre pessoa inocente, uma inimiga.

E assim ela perdeu sua vida, uma vida que poderia ter vivido pra si mesma, e não para os outros, sem tantas insinuações e jogos inventados, jogos que em sua cabeça, ela que venceu.

Mas na verdade, nem ela sabia que o que chamava de perdedores, nem entrado no jogo haviam. 

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Voltei para as palavras


Há tempos eu não escrevo. Bem, não algo pessoal, apenas redações pra vestibulares, provas e coisas relacionadas. Tanta correria. Eu perdi meu caderno que eu escrevia e com ele foi-se a minha rotina de relatar, criar, descrever. Escrever. Mas continuo sentindo, sentindo muita coisa.

Estou com saudade de sorrisos simples e espontâneos, apesar de ter dado muitos hoje, talvez eu tenha falta dos sorrisos espontâneos de alguém específico. Apesar da saudade, matei parte dela voltando aos lugares que me fazem bem. O clima frio e escuro, a preguiça de ficar sem fazer nada por não ter que fazer nada, as boas músicas, isso me faz bem.

Escrever me faz bem, estou feliz por ter conseguido tempo para fazer isso, não tinha muito a ver com tempo, acho que tinha perdido o costume, a rotina. Mas não perderei novamente, isso é tão bom. Isso bom mesmo, estou certa, não é? É bom pra você também? Eu quero que seja, pra mim é e é importante que também seja pra você.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O amor por eles: Tudo me lembra ela


Na nova tag do blog "O amor por eles", é simplesmente o que o título fala, homens falando sobre amor, o que agente não costuma ver muito e morre de curiosidade pra saber como é esse sentimento na mente deles, não é mesmo? E pra inaugurar a tag, o escritor de hoje é o Dayvison Silva.


Como se uma foto sua fosse um portal e através desse portal começo a viver um passado, um belo passado, seu sorriso parece que nunca se apagará da minha memória. Mas quando tudo parece fugir da minha cabeça um simples “Oi” dela, seja na internet ou mensagens, parece desmoronar um castelo dentro do meu coração.

Nossa ela está tão longe, talvez ela esteja feliz, talvez ainda lembre pelo menos do quanto eu a amava, hoje eu tenho certeza que ela tambem não me esqueceu, pois ela me mandou uma linda mensagen com seu nome no final, isso significa muito para mim, é impossivel descrever a minha emoção, dei-me a liberdade de pensar que ela não me esqueceu.

Espero um dia conseguir encontrá-la, pois minha saudade é inigualável, ás vezes é tão grande que chega a trasbordar pelos olhos. Mas porque estou escrevendo tudo isso? Eu sempre dizia que amor é uma coisa que não existia, mas depois de conhecer A GAROTA essa opinião foi totalmente descartada, eu te amo.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Parece, mas não é.





Eu me ollhei no espelho e pensei "Uma pessoa é tanto mais que uma imagem...". 

Há dois dias atrás eu saí vestida de uma forma bem romântica, rendas, oxford, branco, e no caminho de onde eu ia, encontrei um daqueles hippies que vendem aquelas pulseiras bonitinhas, eu estava apressada e sem dinheiro, então não dei muita atenção. Acho que pela roupa de "princesinha", ele julgou que eu estava com medo e começou a falar "Moça, estou te mostrando a cultura, hippie é feio, mas não pega".

Eu sorri apressada e falei "Mas moço, eu acho hippie lindo", daí comecei a pensar o que ele diria se me visse passar ali como passei há dois dias atrás, com minhas pulseiras de corda combinando com a das cores do reggae, calça, jeans, tênis e camiseta. Ai ai, mal repararia que era a mesma pessoa. Mal saberia ele quantos reggaes eu ouvi, quantas pulseirinhas como a dele eu comprei, quantas partes da cultura hippie eu apreciei. E sim, eu realmente achava hippie lindo.

Daí você imagina, tantas vezes que julgamos ou fomos julgados por uma simples imagem de um dia que passamos na rua, ou de uma foto que postamos numa rede social. Pode ser que uma pessoa seja assim 364 dias do ano, mas em um dia ela resolve ser assado, aí a tachamos de "assado" pro resto da vida, sem nem nos aproximarmos pra saber o que a pessoa realmente é. 

As aparências enganam, meu amigo.

sábado, 14 de abril de 2012

Só algo sobre saudade.



Minha barriga ronca o dia todo. E quando minha barriga ronca, deve ser a saudade que eu engoli. Engoli e fiquei ali, sorrindo, como se isso não fizesse minha alma uns duzentos quilos mais pesada, fazendo-me descer do meu céu de pensamentos pra essa terra de desconhecidos.

E aí eu tenho que encarar pessoas, sorrisos estranhos e decepções. Sim, decepções, porque sempre que alguém faz algo que me chateia, eu me lembro de fulano, fulano que saberia que não gosto disso e na primeira oportunidade evitaria de fazê-lo. E eu nem posso reclamar, porque afinal, a nova pessoa não teve tempo suficiente para me conhecer e saber disso, como fulano, e eu também nem sabia se a nova pessoa, depois que me conhecesse, iria se importar, ao ponto de não fazer algo para que eu não ficasse chateada.

Decepção também, porque em uma situação ou outra, eu era acostumada com a atitude de alguém, e agora, quando essa situação se repetia, eu meio que criava a expectativa de uma nova pessoa também ter tal atitude, mas, como no caso anterior, a nova pessoa não teve tempo suficiente para me conhecer e saber disso, e eu também não sabia se ela iria se importar, ao ponto de tomar tal atitude.

Minha barriga acabou de roncar de novo. Agora eu acho que a saudade talvez tenha corroído todo o meu interior, me deixando tão leve quanto um balão quando escapa da boca enquanto tentamos enchê-lo, voando para todos os lados, sem direção, razões e nem objetivo. 

Pesada. Leve. Além de tudo, a saudade ainda me deixa confusa.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Um texto de: Tati Bernardi



O amor chega em uma hora

Daqui a uma hora ele chega. Não deu tempo de consertar o esfolado da minha unha e de esfoliar decentemente os pêlos encravados. Esfolado, esfoliado. Tudo parece música e rima mas é só porque você chega em uma hora. Tem um carro que passa lá longe, enquanto eu tento abrir os olhos e encarar esse dia em que você chega. Esse carro não sabe, mas foram mil anos abrindo os olhos e ouvindo carros e ouvindo ruas e não ouvindo a sua voz. E agora a sua voz existe e você chega em uma hora. Não estou pronta. Minha barriga dói. Eu tenho vontade de vomitar. Eu não consigo comer de tanto medo que eu estou sentindo. Eu quase desmaiei agora de manhã, porque pra piorar está calor. Não lido bem com calor. Não lido bem com nada que não seja eu em minha bolha arejada de imaginações. Mentira, não lido bem com minha bolha arejada de imaginações também. Não lido bem com nada. Não deu tempo de virar mulher. A hora que ele aparecer no desembarque do aeroporto, com sua cara de homem, com sua voz de homem, eu vou ter vontade de pedir que ele volte de onde veio e espere mais cem anos. Porque não deu tempo de eu virar mulher. Eu vou ter vontade de pedir que ele me carregue no colo até a casa da minha mãe e me entregue pra ela. Eu queria tomar sopa na casa da minha mãe. Eu lembrei agora que minha mãe me dava Sustagem quando eu ficava assim, tão assustadoramente encantada pelo mistério das coisas. E ela temia que eu desintegrasse. E agora? Como faz quando se é adulta? Qual é a sustagem de agora para que eu não desintegre? Como é que se ama com um corpo de trinta e três anos se por dentro eu tenho cinco anos e estou tremendo, apavorada, pressentindo o estrago que as coisas de verdade podem causar. Por que eu chamo de estrago quando sei que, na verdade, estrago é o que as coisas que não são de verdade causam. Eu tenho tamanho pra suportar o tamanho das coisas de verdade?

O amor chega em uma hora e eu ainda não consegui comer, escolher a roupa, arrumar minha franja, decidir se já posso amar. O amor chega em uma hora e vai quebrar meu gesso mas eu não decidi se os ossos já estão bons o suficiente. Mas ele vai chegar com trinta martelos e eu vou estar esperando, forte e decidida, pra receber a porrada. E o ar que vai entrar. E mais dor. E o ar que vai entrar. E quem sabe então alguma felicidade, já que fui corajosa. Quem sabe a felicidade seja a harmonia entre a dor e o ar que entram pelos poros que temos coragem de abrir? E quem sabe só o amor seja o martelo possível?

Escrevo isso e choro. Porque quero tanto e não quero tanto. Porque se acabar morro. Porque se não acabar morro. Porque sempre levo um susto quando te vejo e me pergunto como é que fiquei todos esses anos sem te ver. Porque você me entedia e dai eu desvio o rosto um segundo e já não aguento de saudade. E descubro que não é tédio mas sim cansaço porque amar é uma maratona no sol e sem água. E ainda assim, é a única sombra e água fresca que existe. Mas e se no primeiro passo eu me quebrar inteira? E se eu forçar e acabar pra sempre sem conseguir andar de novo? Eu tenho medo que você seja um caminhão de luz que me esmague e me cegue na frente de todo mundo. Eu tenho medo de ser um saquinho frágil de bolinhas de gude e de você me abrir. E minhas bolhinhas correrem cada uma para um canto do mundo. E entrarem pelas valetas do universo. E eu nunca mais conseguir me juntar do jeito que sou agora. Eu tenho medo de você abrir o espartilho superficial que aperto todos os dias para me manter ereta, firme e irônica. Minha angústia particular que me faz parecer segura. Eu tenho medo de você melhorar minha vida de um jeito que eu nunca mais possa me ajeitar, confortável, em minhas reclamações. Eu tenho medo da minha cabeça rolar, dos meus braços se desprenderem, do meu estômago sair pelos olhos. Eu tenho medo de deixar de ser filha, de deixar de ser amiga, de deixar de ser menina, de deixar de ser estranha, de deixar de ser sozinha, de deixar de ser triste, de deixar de ser cínica. Eu tenho muito medo de deixar de ser.

Agora é menos de uma hora. Você vai chegar e automaticamente minha agenda de milhares de regras e horários e controles vai desaparecer. E eu vou ficar apavorada porque só o que eu tenho é o contorno mentiroso que eu dou para os meus dias. E você, porque me abraça e me dá outro desenho, é o vilão da minha vida programada. Você é o tufão de oxigênio que invade meu nariz mas, porque estou com tanto medo, mais parece falta de ar. Agora é menos de menos de uma hora. Preciso terminar esse texto. Mas eu tenho medo, sobretudo, de terminar esse texto. Sobre o que eu vou escrever se você for melhor do que esperar por você? 

sábado, 17 de março de 2012

Por um jeito mais simples


Eu nunca fiz o tipo que fala uma coisa achando outra, querendo outra, e assim por diante, sei que isso é normal e quase uma característica geral do sexo feminino, mas cá entre nós, isso é meio patético, não?

Essa mania de dizer "vá embora", quando o coração diz "não vá de maneira alguma", quando na verdade, a expectativa é mesmo que a pessoa ignore o seu mandato e fique ali, que de alguma forma ela leia seus pensamentos e faça o que eles querem, vamos combinar, é uma mania boba.

Não é muito mais simples dizer o que o coração manda? Se quer um beijo, dizer que quer, ao invés de ficar fazendo mil joguinhos para tentar conseguir que um indivíduo, que não sabe jogá-los, interprete-os e então, faça o que você tanto quer.

Tudo bem que a conquista é encantadora, aquele mistério de não saber se a pessoa vai conseguir interpretar seus sinais, ou se ela não está entendendo nada, realmente, é divertido. Mas e quando já foi tempo demais de conquista e nada? E mais, e se a fase de conquista já passou e isso acabou se aplicando a coisas bobas, rotineiras, que seriam muito mais simples, proveitosas e divertidas se fossem simplesmente, ditas.

Sinceramente, uma dúzia de brigas seriam evitadas, muito mais carinho seria dado, e eu realmente acho que muita gente agradeceria, principalmente nos relacionamentos, afinal, homens podem ser inteligentes pra mil coisas - ou não -, mas a complexidade das mulheres os deixa muito, mas muito lerdos, uma mãozinha não custa nada, não é?

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Alguém citou: Martha Medeiros


A alegria na tristeza

O título desse texto na verdade não é meu, e sim de um poema do uruguaio Mario Benedetti. No original, chama-se "Alegría de la tristeza" e está no livro "La vida ese paréntesis" que, até onde sei, permanece inédito no Brasil.

O poema diz que a gente pode entristecer-se por vários motivos ou por nenhum motivo aparente, a tristeza pode ser por nós mesmos ou pelas dores do mundo, pode advir de uma palavra ou de um gesto, mas que ela sempre aparece e devemos nos aprontar para recebê-la, porque existe uma alegria inesperada na tristeza, que vem do fato de ainda conseguirmos senti-la.

Pode parecer confuso mas é um alento. Olhe para o lado: estamos vivendo numa era em que pessoas matam em briga de trânsito, matam por um boné, matam para se divertir. Além disso, as pessoas estão sem dinheiro. Quem tem emprego, segura. Quem não tem, procura. Os que possuem um amor desconfiam até da própria sombra, já que há muita oferta de sexo no mercado. E a gente corre pra caramba, é escravo do relógio, não consegue mais ficar deitado numa rede, lendo um livro, ouvindo música. Há tanta coisa pra fazer que resta pouco tempo pra sentir.

Por isso, qualquer sentimento é bem-vindo, mesmo que não seja uma euforia, um gozo, um entusiasmo, mesmo que seja uma melancolia. Sentir é um verbo que se conjuga para dentro, ao contrário do fazer, que é conjugado pra fora.

Sentir alimenta, sentir ensina, sentir aquieta. Fazer é muito barulhento.

Sentir é um retiro, fazer é uma festa. O sentir não pode ser escutado, apenas auscultado. Sentir e fazer, ambos são necessários, mas só o fazer rende grana, contatos, diplomas, convites, aquisições. Até parece que sentir não serve para subir na vida.

Uma pessoa triste é evitada. Não cabe no mundo da propaganda dos cremes dentais, dos pagodes, dos carnavais. Tristeza parece praga, lepra, doença contagiosa, um estacionamento proibido. Ok, tristeza não faz realmente bem pra saúde, mas a introspecção é um recuo providencial, pois é quando silenciamos que melhor conversamos com nossos botões. E dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba saindo também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada. Triste é não sentir nada.


terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Alguém citou: Tati Bernardi




Meninos de Costas


Não me sonhe, por favor. Pessoas que acham que podem me amar me ofendem. É sempre muito pouco o que elas podem e é sempre muito diferente do que deveria ser amor o que elas oferecem.


Eu custo a suportar a banalidade do meu ser. Eu custo a aceitar uma relação como a que qualquer um poderia ter. Eu seria mais feliz se eu não me achasse melhor do que a minha vizinha. Mas eu sou infinitamente melhor que ela. Eu e minhas crises de ansiedade somos seres solitários, arrogantes e multiplicados por megalomanias. São mil vezes cem anos de análise e nada. Eu continuo me achando melhor que o amor igual e idiota que se oferece por ai. Melhor do que os casais e seus dilemas de festas de finais de ano e seus sonhos de vestidos brancos e seus cachorros e sacadas de predinhos neoclássicos e planos médicos familiares. Chato, chato, chato.


É sempre nojento quando aparece alguém que quer tentar me amar. Sempre daquele jeito burocraticamente aos poucos e equilibrado e respeitado pela vida social e empresarial e natural e dentro da rotina dos humanos normais do planeta que precisam ir aos poucos porque a vida em sociedade empresarial e natural e tudo isso. E então eu tenho prazer de tornar a vida de todo mundo que se aproxima de mim, achando que pode me amar igual meu vizinho ama a minha vizinha, um inferno. É que, por completa infelicidade, eu sempre acho a minha grama infinitamente mais verde.


O certo, se é que existe o certo, era eu gostar de assistir ao ato da conquista sentada confortavelmente em uma soberba cadeira de rainha. Homens adoram mulheres que se permitem galantear e sorrir entregues para seus lampejos de semi genialidade. O problema é que eu quase sempre sou muito mais engraçada e rápida e semi genial que eles. E estou tão perto de virar um homem que tenho preferido a minha masturbação a ter problemas para conviver com outro ser humano que, por experiência própria, só vai encher a porra do meu saco.


Não sei o nome de milhares de capitais de milhares de estados. A minha vida inteira tirei 6 pra passar de ano. Leio pouco. Tenho fobia de sair de São Paulo. Sou meio flácida e corcunda. Ainda assim, quando um bom moço me oferece amor, me sinto ofendida. Porque é pouco e porque se parece com tudo a minha volta e porque, definitivamente, não tenho estômago pra ser minha vizinha.


Minha vizinha, que é absurdamente igual a todo mundo, é casada com um homem que poderia se passar por qualquer ser humano da terra. Eles vivem uma vida muito parecida com todas as outras. Uma parede me separa dessa realidade insuportável e eu os odeio por isso.
Enquanto isso, gosto bastante de rapazes que, numa festa, conversam de costas pra mim. Pessoas que pouco se importam com a minha existência me libertam de ser especial. Ou, melhor, de não ser esse pequeno e medíocre “especial” que é o máximo de especial que as pessoas podem sentir e dar e ter. Resumindo: me libertam de não ser especial.


Se não me percebem não preciso entrar em contato com a dor suprema que é ser percebida de forma tediosa ou menor ou superficial ou igual todos se percebem e se têm e, por fim e rapidamente, não se suportam mais.


Sou imatura, egocêntrica e debilmente iludida por uma auto-estima analgésica de efeito rebote. E dane-se. Um dia o meu amor verdadeiro chegará e será diferente de tudo isso e nós vamos chorar de emoção por ter valido a pena não sangrar até a morte nos insistentes e rotineiros momentos de angústia e nada e vazio e solidão e inconformismo.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Diamantes em busca do brilho.




O mundo nos impõe maneiras de como ser e fazer tudo, como se essas fossem as únicas ou as melhores maneiras. Mas eu quero mostrar que da minha maneira posso conseguir o que quero, e que essa maneira não é pior, nem melhor que nenhuma outra. E por isso, o meu jeito de ser, de me vestir, de falar, de ver o mundo, enfim, a minha maneira e as consequências dela, estão aqui, no Diamonds.

Quem disse que os seus sonhos fora do padrão não irão se realizar? E quem disse que a sua visão diferente do mundo é errada? E mais, quem disse que pra conseguir chegar ao brilho, a única, melhor ou mais correta maneira, é essa, que o mundo nos impõe?

Na verdade, o que quero mesmo mostrar, é que cada um, sendo ele mesmo, pode ser como um diamante, que do nosso jeito, podemos sim chegar ao brilho. Aliás, nós já somos diamantes brilhando, mas da nossa maneira, porque a maneira certa, é a de cada um.

A última coisa em sua mente era crescer. Ela irá beijar o ceú, antes de se levantar, e aí vem ela. Ela está dançando com as estrelas e vivendo no céu com diamantes.
(Cobra Starship)


P.S: Olá meus leitores queridos. Esse é o novo perfil do blog, já que eu mudei de cidade, e o perfil antigo tinha toda uma relação com o lugar. Esse é o texto completo que está na página "Perfil", escrito por mim, e com a frase de encerramento da música "Living in the sky with diamonds", da banda Cobra Starship. Na home do blog está o texto bastante simplificado. E aí, gostaram?

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Alguém citou: Martha Medeiros



A impontualidade do amor

Você está sozinho. Você e a torcida do Flamengo. Em frente a tevê, devora dois pacotes de Doritos enquanto espera o telefone tocar. Bem que podia ser hoje, bem que podia ser agora, um amor novinho em folha. 

Trimmm! É sua mãe, quem mais poderia ser? Amor nenhum faz chamadas por telepatia. Amor não atende com hora marcada. Ele pode chegar antes do esperado e encontrar você numa fase galinha, sem disposição para relacionamentos sérios. Ele passa batido e você nem aí. Ou pode chegar tarde demais e encontrar você desiludido da vida, desconfiado, cheio de olheiras. O amor dá meia-volta, volver. Por que o amor nunca chega na hora certa? 

Agora, por exemplo, que você está de banho tomado e camisa jeans. Agora que você está empregado, lavou o carro e está com grana para um cinema. Agora que você pintou o apartamento, ganhou um porta-retrato e começou a gostar de jazz. Agora que você está com o coração às moscas e morrendo de frio. 

O amor aparece quando menos se espera e de onde menos se imagina. Você passa uma festa inteira hipnotizado por alguém que nem lhe enxerga, e mal repara em outro alguém que só tem olhos pra você. Ou então fica arrasado porque não foi pra praia no final de semana. Toda a sua turma está lá, azarando-se uns aos outros. Sentindo-se um ET perdido na cidade grande, você busca refúgio numa locadora de vídeo, sem prever que ali mesmo, na locadora, irá encontrar a pessoa que dará sentido a sua vida. O amor é que nem tesourinha de unhas, nunca está onde a gente pensa. 

O jeito é direcionar o radar para norte, sul, leste e oeste. Seu amor pode estar no corredor de um supermercado, pode estar impaciente na fila de um banco, pode estar pechinchando numa livraria, pode estar cantarolando sozinho dentro de um carro. Pode estar aqui mesmo, no computador, dando o maior mole. O amor está em todos os lugares, você que não procura direito. 

A primeira lição está dada: o amor é onipresente. Agora a segunda: mas é imprevisível. Jamais espere ouvir "eu te amo" num jantar à luz de velas, no dia dos namorados. Ou receber flores logo após a primeira transa. O amor odeia clichês. Você vai ouvir "eu te amo" numa terça-feira, às quatro da tarde, depois de uma discussão, e as flores vão chegar no dia que você tirar carteira de motorista, depois de aprovado no teste de baliza. Idealizar é sofrer. Amar é surpreender.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

O moço que não sentia


Sem graça é você que vive a vida como se ela fosse algo, sei lá, pré-ditado, no qual você tem apenas que, estudar, trabalhar e ganhar dinheiro pra sustentar sua futura família, se é que você pretende ter uma. Me diz quem é o bobo, aquele que enxerga poesia até no que não tem nenhuma importância na sua vida, ou aquele que não enxerga nada até mesmo no que é mais importante pra ele? Que graça tem não sentir? Que graça tem a vida sem arrepios e friozinhos na barriga? Me desculpe, moço, mas eu não caio nessa sua conversa.

Permita-se sentir um pouco. Ter saudade, ficar feliz quando se sente amado, quando ganha um abraço ou um sorriso, ficar feliz até mesmo pelo fato das pessoas que você quer bem estarem sorrindo. Ficar triste quando alguém te decepciona, te magoa. Vai lá, moço, ame, beije, declare. Para de se esconder atrás de desculpas como "a época ou os hormônios adolescentes".

Você tem medo? Olha, já é um bom sinal, já é um sentimento. Porque você sente, ou estava achando que iria me enganar? Eu sei que você a ama, que sofre quando ela não te ama, ou quando te decepciona, que ás vezes tem vontade de chorar quando pessoas especiais te tratam mal. Sim, eu sei, que tudo o que você diz sobre quem sente, sobre os sentimentos e suas consequências, é só uma casca, uma forma de parecer mais forte, de parecer inatingível. Mas quer saber mesmo a verdade? isso só te torna um covarde.

Mostre-se, moço, mostre-se.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Alguém citou: Tati Bernardi



Romântica pra cacete

"...A vida é complicada porque nós mulheres romantizamos tudo, ou quase tudo, ou justamente o que não deveríamos, a gente faz planos mesmo em cima dos silêncios deles, a gente vê beleza em cada sumiço, a gente vê olhares de amor no mais puro olhar de tesão, nós temos a mente completamente diferente da deles. Não precisa procurar no meio da multidão, coisas acontecem quando você desiste de procura-lás, posso me aproximar sem invadir seu espaço, mas posso me aproximar tanto que seja impossivel de não o invadir. Não há como garantir que não possa me esforçar em ser interessante sendo que o que eu quero é ser o melhor que você merece. E de tudo que posso ser pra você eu só pediria que nunca fugisse de mim, nem mesmo quando por alguma razão eu deixasse a máscara cair, eu irei segurar sua mão como quem segura a mão de alguém que esteja pendurado sobre um barranco. E seguirei por dias, semanas, meses tentando tocar o seu coração até que um dia eu consiga. E de nenhuma forma te prender, mas sentir medo de te perder, e jamais te limitar mas chorar quando decidir ir embora, e esperar suas mudanças naturalmente sem forçar você, roubar mil beijos seus quando você decidir ter alguma crise de raiva, tentar te acalmar e ser incapaz de causar algum sofrimento a você. E eu não somente diria que canta mal como cantaria com você, provando assim que existem pessoas que cantam horrivelmente, e que você não é a única, mas a que eu estaria disposta a escutar, e quando você decidir falar demais, que eu debrusse sua cabeça no meu ombro e escute tudo que tem a dizer, e quando for desastrado que haja fôlego para não morrermos de tanto rir. E que você sinta vontade de precisar de mim, mas não só quando houver necessidade, que você sinta isso mesmo tendo passado um dia inteiro comigo, que não veja e nem sinta as horas passando quando estiver ao meu lado, e que nunca seja o suficiente o tempo que passarmos juntos, que você sempre sinta vontade de mais, mais e mais. E que você suporte os meus defeitos e se sinta orgulhoso das minhas qualidades, e apesar de não ter uma beleza extrema, poder fazer com que você enxergue que gostar de alguém vai muito além de beleza fisica, e tentar também de algum jeito (infelizmente só tentar) fazer com que você não precise olhar em outras direções, porque seus olhos vão estar dentro dos meus. Eu quero sempre encontrar você, sejá lá aonde você estiver, e que eu consiga ser o seu perfeito, mesmo sendo imperfeito."

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Um sorriso pra cada falha.


Ela levantava todo santo dia, olhava no espelho e fazia o mesmo processo: se maquiava, se vestia, calçava seu sapato e partia para a vida. Sonhava em se formar, ter um bom emprego, ser bem sucedida, ter um bom marido, e filhos bochechudos. Monótona.

Mas toda vez que ela viajava, e cruzava lugares tão lindos, como o campo verde que vira na última viagem, iluminado pelo sol do fim de tarde e cercado por um muro de eucaliptos, ela se libertava em pensamentos. Sonhava em ter uma casinha num lugar desse, ou na beira da praia, acordar numa roupa simples dando um belo bocejo, seguido por um abraço de um homem que não ligava pra sua simplicidade, achava-a encantadora, o seu marido.

Sonhava em ter uma vida diferente do normal. Conquistar com sua personalidade uma outra vida, quem sabe essa tal personalidade seria boa o bastante pra todo mundo querer um pouquinho consigo, seja num texto, seja na presença, seja num vídeo.

Mas o carro chegava até a cidade e tudo acabava, ela voltava para seus sonhos monótomos e nem se quer pensava em ousar, um dia, tentar realizar seus sonhos de viagem. Era arriscado demais, ousado demais, tinha tantas chances de não funcionar.

Pois vá menina, saia da zona de conforto. Liberte-se de sempre acertar, liberte-se de viver sempre o fácil e sem prazer para não ganhar uns arranhões. Ganhe arranhões, e ganhe sorrisos, e sonhos e vida. O que tem demais se não der certo, pequena? Aí você tenta de novo, e de novo, e de novo, pois são nos "tentares" da vida, que estão os melhores sorrisos.

sábado, 5 de novembro de 2011

Quem escreveu foi: Tati Bernadi - O copo de água

Eu mastigava com culpa cinco daquelas bolinhas de amendoim. Não era culpa, era ansiedade. Não, era tédio. Minhas amigas conversavam longamente sobre algo que não me interessava nem por um segundo. As chatices do marido, as chatices do trabalho, as chatices do trânsito. Minha vida não é chata.

Eu inventaria um trabalho, uma casa, um dia, um modo, um jeito. E inventei. As festas na Carol sempre tinham comidas incríveis mas, naquele dia, eram só bebidas. Eu não bebo. Quer dizer, agora, de vez em quando, comecei a beber só porque entendi quando me falavam que sem álcool é tudo muito pior. Então passei a beber pouco. Uma taça de vinho? Mas naquele dia eu não podia beber porque não tinha comido e também porque não estava a fim. Eu estava a fim de ir embora. Voltar pra minha vida que não era chata mas ficava chata quando percebia que eu tinha uma vida dentre todas aquelas vidas que se faziam perceber. Olhei pra porta. Ela abriu e você chegou. Eu não te via há 3 meses e alguns dias. Foi então que o narrador do meu cérebro pigarreou e mudou o tom. Eu me narro tudo desde que me tenho por cérebro.





Como se o tempo todo eu me contasse e contasse o mundo. Para ver se eu existo e se o mundo existe. Para ver se eu me suporto e se suporto o mundo e se o mundo me suporta. É insuportável, mas o tempo todo minha cabeça narra tudo. Minuciosamente, detalhadamente, dolorosamente. O tempo todo eu cavoco o segundo, o pó, a pele, o que se diz, o que se parece. Tentando narrar o mais profundo do profundo do que eu poderia narrar. Só pra responder o mais profundo do profundo do que eu poderia perguntar. Então o narrador começou dizendo assim "e então ele entrou por aquela porta". Você entrou por aquela porta. Eu apertei o braço da Fernanda: "é ele! Ai, meu Deus, é ele".

Quem, Tati? Ele. Mas qual dos "eles"? Você tem tantos "eles", Tati. O último. Você era o último homem que eu tinha amado e, portanto, o "ele" da vez. Com seu cabelo alto, largo, rococó. Eu amo seu cabelo. Amo os cachos mais brancos que parecem ornamentos rococós para suas orelhas. Os puxa-sacos te abraçam. Eu percebo quem gosta de você e quem só te abraça porque um dia pode precisar de emprego. Alguns te abraçam gostando de você. E então eu fico feliz, porque eu gosto que gostem de você. Porque você é o tio da Lia, a bebezinha que pensa muito antes de rir pra qualquer bobagem. Você é o cara que, quando foi embora, me deixou sentindo uma dor bem enorme, mas eu gosto de você, você não fez por mal. Seu mal nunca foi por mal. Então, eu gosto que gostem de você. E o narrador me narra seus tênis sempre tão publicitários.

Seus pés gordinhos e pequenos e tão perfeitos pra carinhos. E narra sua roupa de chefe descolado. E narra o segundo em que você me percebe na festa e cochicha no ouvido do seu amigo alto. E narra todas as infinitas vezes em que você passou por trás de mim, esperando que eu me virasse e concordasse com seu "oi" cordial. Preferindo que eu não me virasse, assim você podia não sentir essas coisas complicadas todas que sentimos juntos. Então, cansada de te narrar, chamei firme seu nome, com um sorriso maduro.

Mordendo a língua que tremia batendo no céu da boca. Minha língua, quando te vê, quer logo te dizer coisas lindas e assustadoras. Então é uma luta prendê-la no céu, deixando na terra apenas meu cordial "oi" que você queria sem querer. Então fomos pegar água. Brindamos com a água. Você com sua mania de conversar quase dentro da minha cara. Eu vesga de te ver tão perto. Seu charme míope e inseguro. O menino inseguro que conversa colado na minha retina. Que insegurança é essa? Eu não te pergunto nada, apenas desejo tanto você que sorrio como se não me importasse com sua existência. Mas você resolve se explicar mesmo assim. Porque "seus olhos estão sempre me perguntando algo", você diz. E você começa sua loucura que me faz gostar ainda mais de você. Empurra a palma contra o peito e diz "eu gosto assim, Tati, fechado, protegido, eu gosto". Então você olha para o meu copo d'água e diz: "eu sou só um copo d'água, mas você ficava me olhando e pensando nas bolhas e nos gelos e nos canudinhos e na transparência e se a água era isso ou aquilo. Água é só água, por que você complica a água, Tati?". Então apagaram a luz e eu quis me esconder dentro do seu paletozinho de publicitário descolado e ouvir suas batidas descompassadas e embaladas pelo seu cheiro de alma boa. Mas você pegou na minha mão e continuou dizendo que uma mão, muitas vezes, é apenas uma mão. Mas que eu insistia em enxergar os buracos entre os dedos, os anéis que separavam os dedos, a dor da separação dos dedos, a gota da bebida gelada entre os dedos. E que você não poderia suportar isso. A maneira como eu te olhava. Vendo mais, inventando mais, complicando mais. E eu quis te dizer que tudo bem, eu seria uma menina simples. Eu mataria meu narrador, minhas possibilidades, meus mundos, minhas invenções. Só de ver seus cachos mais grisalhos e rococós ornando seus medos e superficialidades eu desejei não ser mais eu pra ser qualquer coisa que pudesse ser sua. Mas enchi meu peito surrado e murcho de coragem e te disse que, infelizmente, onde você era apenas um copo d' água eu era a tempestade.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Eu sou extrapoladamente apaixonada por você.



Nós éramos movidos pelo amor. Eu lhe dava todo o amor que habitava em mim, e então ficava cansada, indefesa, frágil, mas então, no mesmo instante, você me dava todo o seu amor, assim como eu, e então nós dois nos recuperávamos e seguíamos nosso caminho radiantes, cheios de paz, cheios de felicidade. Cheios de amor.

Mas, num certo dia, descobrimos que poderíamos nos encher com nosso próprio amor, ao invés de suprirmos um ao outro, e fomos conhecer essa nova experiência. Não foi nada bom. Dois meses e eu consegui voltar para a minha vida de doadora.

Você voltou, mas não como antes. Não sei se foi porque você gostou da história do amor próprio ou sei lá por qual motivo, mas sei que voltou diferente. Você continuava me dando amor, é claro, mas o amor suficiente para que eu levantasse e caminhasse sorrindo, alegremente. Talvez éramos felizes, mas já não éramos radiantes como antes. Ficou aquela falta, aquele espacinho vazio entre a felicidade simples e a mais mágica, pois eu ainda te dava todo o meu amor, mas já não recebia tanto em troca.

Então me peguei numa mistura de pensamentos: Será se estou sendo egoísta, ou querendo demais, por ser uma boa quantia de amor e eu ainda reclamar? Será se não estou dando todo o meu amor para você? Será se estou sonhando com algo inexistente?

Depois de várias tentativas falhas de achar que eu estava sendo egoísta e tentar me conformar com o amor que recebia, de tentar te dar mais amor afim de saber se esse era o motivo pela falta da doação do seu, de acreditar que amor assimetricamente recíproco, mágico, lindo e afins, não existe e se existisse era coisa de começo de relação ou de casal jovem, cheguei a seguinte conclusão:

O problema é doar um amor imenso, e espera-lo em troca.

Eu sempre disse: “Ás vezes me dá vontade de correr pelo mundo atrás de um cara que me fizesse sentir o que eu sentia na época da nossa felicidade fora do normal”, e sempre complementei: “Mas acho que não adiantaria nada, pois eu desenvolvi um amor muito grande por você, e mesmo se aparecesse um cara perfeito, é você quem eu amo”.

Nunca apareceu ninguém para eu ter a oportunidade de comprovar isso, mas eu sei do meu amor por você. E por causa desse amor, eu aprendi que devo te amar, sem esperar nenhum amor em troca, pelo simples fato de te amar, por livre e espontânea vontade. Eu podia te amar só um pouquinho, ou bem muito como você me ama, mas eu escolhi te amar de um tanto exagerado e imenso, que você não tem a obrigação de me amar igual, só de você me amar já é lindo.

Então, eu sei que você me ama muito, e que o amor que você me dá é o suficiente para sermos felizes, e depois de passar e aprender com tudo isso estou mais feliz ainda pelo tanto que você me ama. Eu que sou uma louca completamente e “extrapoladamente” apaixonada por você.

P.S: Galera, desculpa por não ter postado alguns dias aqui, é que fui fazer o Enem na cidade vizinha, e fiquei sem internet por lá. XOXO, Izabela Cristina.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Personalidade ao invés de beleza.



Beleza pra mim é ter personalidade. E se tem algo admirável para mim, são pessoas que pensam da mesma forma, mais ainda, caras que pensam da mesma forma – o que se tornou raro -.

Aquele cara diferente de todos os outros, que mata todas as meninas gatas do pedaço de raiva, por ser o único que não quebra o pescoço para olhá-las, e isso faz com que elas façam de tudo pra conseguir essa proeza dele. Mas, o cara nem liga, pois pra ele bonito é ter personalidade, e mais personalidade que a menina dele, nenhuma menina que se satisfaz com olhares maliciosos tem. Esse é o “príncipe encantado” do meu conto de fadas, esse é o cara pra quem eu grito “Bravo!” e bato palmas.

Pra mim, caras assim barram qualquer olho claro, rosto bonito, corpo musculoso. Seja o cara a pessoa mais linda que for, mas tenho certeza que eu tiraria o meu chapéu pra aquele que não tem nem cabelo liso, muito menos olho claro, no canto da esquina, de camisa de banda, jaqueta de couro e coturno, sentado com uma moça da roupa parecida com a dele, ouvido um bom som, sem se importar com o resto do mundo, ou até mesmo aquele de cabelo amarradinho e sandália franciscana, ouvindo reggae e indo pra praia olhando nos olhos de uma moça de lenço na cabeça.

Não é obcessão, eu não me importaria se pra um cara desses eu fosse uma menina que não tem personalidade suficiente pra ele. É admiração. Seria uma honra ter um cara desses como amigo, e é um alívio saber que em algum lugar eles existem.
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